21 de setembro de 2020

COVID19: o que se sabe até agora?

Covid-19 e vacinas

Já se passaram 9 meses do primeiro caso identificado de infecção do novo vírus Sars-Cov-2, causador da Covid19 em humanos e muitas perguntas ainda não possuem respostas. Saber como pessoas infectadas combatem a doença, bem como por quanto tempo ficamos protegidos a ela é de total importância para medidas de distanciamento social, quarentena, lockdown, e desenvolvimento de vacinas.

          Sabe-se que nosso corpo é capaz de combater a infecção através de 2 formas: imunidade humoral e/ou celular. A imunidade mais conhecida para essa defesa é a humoral, formada pelos anticorpos, entre eles as imunoglobulinas IgG e IgM que são identificados nos testes rápidos aplicados em farmácias e laboratórios – tais testes nos dizem apenas que um vírus passou por ali, e não necessariamente que ainda o temos. Mas será que isso nos dá a certeza de imunidade? A resposta ainda é incerta, uma vez que é necessário que seja produzido também os chamados anticorpos neutralizantes (que de fato impedem o vírus de entrar na célula), e estes não são identificados nos kits. Até agora não há nenhum caso comprovado (que não suscite nenhuma dúvida) de reinfecção, apesar de não se saber com certeza o grau dessa imunidade e sua duração.

          Um estudo publicado na revista Nature Medicine, em 18 de junho de 2020, observou que 37 pessoas que haviam comprovadamente sido infectadas com Sars-Cov-2 mas permaneceram assintomáticas, apresentaram níveis de menores no sangue de IgG e anticorpos imunizantes dos que tiveram sintomas moderados. Além disso, de 2 a 3 meses após a infecção aguda, os níveis de anticorpos caíram a um patamar indetectável em 40% dos casos. Na verdade, esse comportamento não é exclusivo para essa doença: de modo geral os vírus respiratórios classicamente não determinam uma imunidade permanente e as pessoas infectadas por eles não costumam manter os níveis de anticorpos estáveis por longos períodos, como encontrado logo após a infecção. Outros dois fatos podem estar relacionados com essa falta de detecção dos anticorpos: a falta de especificidade e sensibilidade dos testes. Isso ocorreu também nos testes de HIV, para os quais já estão disponíveis no marcado a quarta geração de testes.

          Mas o fato de não se ter anticorpos não significa, necessariamente, falta de imunidade. Estudos mais recentes têm mostrado que parte dos indivíduos pode desencadear uma forte resposta celular (imunidade celular) de linfócitos T específicos ao Sars-Cov-2 mesmo sendo soronegativa (ausência de anticorpos). Inclusive há estudos que evidenciam a presença de células T específicas para o Covid19 no sangue de indivíduos com amostras coletadas em 2019, antes mesmo da pandemia, possivelmente devido ao fato de que fragmentos de proteínas que se assemelham aos peptídeos do novo coronavírus já foram expostos aos indivíduos no passado, uma vez que 50% da sequência das proteínas dos outros tipos de coronavírus endêmicos é idêntica ao Sars-Cov-2. Imagina-se hoje que a memória e a defesa a longo prazo contra o Sars-Cov-2 pesam mais aos linfócitos do que aos anticorpos, conforme já evidenciado na doença Sars (Sars-Cov-1): os indivíduos infectados têm poucos anticorpos, mas quantidades consideráveis de linfócitos T de memória que se ativam após novo contato com o vírus.

          Diante disso, espera-se a produção de uma vacina que consiga induzir a produção de modo eficiente tanto anticorpos neutralizantes quanto de linfócitos T. Vale lembrar que as mutações que vírus do Covid19 tem sofrido até agora não mudam a forma como o mesmo é reconhecido pelo sistema imune, o que não implica em problema para as vacinas – a questão é se o corpo é capaz de manter esse reconhecimento a longo prazo. Hoje, há pelo menos 8 estratégias diferentes de produção de vacinas para combater o Covid19, desde as mais tradicionais envolvendo atenuação ou inativação viral até as mais modernas envolvendo DNA e RNA, conforme evidenciado na Figura 1.

Figura 1: Formas de produção de vacinas. Fonte: Revista Pesquisa FAPESP.

            Entre os recursos disponíveis para desenvolvimento de pesquisa e desenvolvimento para combate do Covid19, o Brasil disponibilizou cerca de US$ 100 milhões, frente US$ 970 milhões disponibilizados pelo Canadá, US$ 1,72 bilhões disponibilizados pelo Reino Unido, US$ 2,1 bilhões disponibilizados pela Alemanha e US$ 6,1 bilhões disponibilizados pelos Estados Unidos. Apesar da discrepância orçamentária, o Brasil firmou acordo para produção da vacina em desenvolvimento pela Universidade de Oxford e AstraZenica através da Bio-manguinhos, e da vacina chinesa Sinovac em parceria com o Instituto Butantan, e espera-se que as vacinas estejam disponíveis para a população em meados do não que vem. Até tal data, é indispensável que se siga as recomendações da Organização Mundial da Saúde e Ministério da Saúde quanto às medidas preventivas para se evitar a disseminação e contágio da doença.

Figura 2: Estágio de produção de vacinas. Fonte: Revista Pesquisa FAPESP.

          Por fim, a Figura 2 demonstra as principais vacinas que estão em desenvolvimento no momento, bem como sua plataforma de produção.

          Quer saber mais sobre produção de vacinas, de insumos para kits de diagnóstico, ou sobre os assuntos regulatórios que abrangem produção de biológicos, entre em contato conosco através de nosso site ou redes sociais.

Referências

Revista Fapesp Edição 294 _ Agosto 2020

Revista Fapesp Edição 293 _ Julho 2020

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